O meu umbigo

17 de Maio de 2008

A prepotência com que alguns senhores falam do jornalismo, como quem tudo sabe e tudo comenta, como autênticos treinadores de bancada, tira-me do sério! Sobretudo quando esses senhores se dizem portadores de carteira profissional.

Até porque, depois, com a ânsia de se mostrarem independentes de tudo e de todos, com os seus comentários tão críticos sobre a profissão e os profissionais, nem reparem a figura ridícula que fazem ao querem ser o baluarte do bom jornalismo.

Boicote Nacional às gasolineiras

16 de Maio de 2008

PRÓXIMO BOICOTE: 26 de Maio a 8 Junho - Galp

Estamos num país conhecido por ter um povo conformista e comodista.
Pois bem, a contar com isto, as gasolineiras exploram o povo a seu "bel-prazer" sem que haja notícias de que o preço diminua.
Se pensarmos bem, o aumento do preço de combustíveis, significa que fica mais caro o transporte de variados produtos de consumo essencial para todos nós. O que faz com que, por arrasto, todos os preços de bens e serviços aumentem.
Supondo que não estamos num país de gente abonada, considera-se uma boa chance de tentarmos mostrar que afinal de contas, o dinheiro que conseguimos receber ao fim do mês é cada vez mais necessário para a nossa sustentação.
Como tal, é proposto por este movimento que se abdique de colocar combustível em todas as grandes gasolineiras pelo máximo tempo possível, com o objectivo de que as gasolineiras se apercebam que algo vai mal para os seus lados, e comecem a tornar o seu preço mais competitivo.
Mas para isso acontecer terá que haver coordenação, e saber onde podemos, e não podemos abastecer. Assim são propostos prazos mínimos para boicotar marcas específicas, conseguindo desta forma um maior impacto:

26 de Maio a 08 Junho - Galp
09 Junho a 22 Junho - BP
23 Junho a 06 Julho - Repsol

Em alternativa às mesmas, segue uma lista de postos de abastecimento com combustíveis mais baratos, bem perto de si:

(www.maisgasolina.com/combustivel-mais-barato/)

Em complemento a esta mensagem está a ser enviada uma SMS com o seguinte texto:
"Boicote nacional: GALP:26MAI a 8JUN.BP:9JUN a 22JUN;REPSOL:23JUN a 06JUL. Não abastecer nesses dias!Adere e passa msg! + Info em (o-povo-vai-nu.blogspot.com/)"

Agradece-se que passe esta mensagem a todos os seus contactos, por forma a se demonstrar a força Portuguesa quando há necessidade de haver união.

Todos juntos é mais fácil!

Pensamento do dia

Sócrates é meu amigo, mas sou mais amigo da verdade.
(Aristóteles)

Escritos XIV

15 de Maio de 2008

A morte prematura do pai, e as circunstâncias em que ela ocorreu, deram-lhe o primeiro contacto com a polícia e os métodos de investigação. Tinha então 15 anos quando, ao início da manhã, um irmão mais velho de João Pedro foi dar com o corpo do pai estendido no chão, num lago de sangue, dentro do celeiro dos avós.

João Pedro, que tinha o mesmo nome do pai, não largou os investigadores por um segundo enquanto estes se mantiveram no celeiro a recolher eventuais pistas. Ao longe, à distância mínima que lhe era permitida, acompanhou todos os passos dados até que os investigadores concluíram que o João Pedro, pai, tinha morrido depois de cair de um passadiço que dava acesso ao telhado. O único dado que ficou por explicar foi o motivo por que o homem estava ali, ao início do dia. No entanto, face à ausência de pistas, as autoridades acabaram por afastar a tese de homicídio.
O relatório final do caso, embora João Pedro nunca tenha concordado com ela, fora de que se tratara de um suicídio. Isto apesar de o pai de João Pedro não deixar qualquer carta a explicar os motivos nem de, aparentemente, existir uma qualquer explicação para tal acto. Sem conseguir explicar porquê, João Pedro sempre preferiu acreditar que se tratara de uma queda acidental.

Mas, neste momento, estava concentrado em descobrir tudo o que lhe fosse possível sobre esta jovem rapariga, brutalmente assassinada.
– Não percebo como é que alguém é capaz de fazer uma coisa destas. Nunca hei-de perceber.

Uma boa estratégia de marketing

No meio disto tudo, curioso é que anda meio país (não sei se a União Europeia também está preocupada ou não com isso) a debater o erro do nosso primeiro, que fumou num avião; enquanto o outro meio aplaude a sua decisão, anunciada publicamente, de deixar de fumar.

Mas, já agora, será que ninguém se importava de debater um bocadinho, mas só um bocadinho mesmo, esta viagem dele à Venezuela e as reais motivações?

Se tivesse sido estratégia de marketing teria resultado!

Sinais de um país pequenino e deprimido

14 de Maio de 2008

Mais uma vez Portugal volta a mostrar, ao seu mais alto nível, quão pequenino por ser enquanto País.

Avião da TAP fretado rumo a Caracas, o espectáculo começa ainda antes de o avião chegar ao seu destino. Envolvido num stress tremendo, porventura, e sempre possibilidade de fazer o seu “joggingzinho” para descontrair, provavelmente, o primeiro-ministro – que até já admitiu que errounão resistiu ao vício (que, confesso, desconhecia) e lá foi a “correr” para um sítio escondido fumar um cigarrinho. Relatam os jornalistas presentes – terão todos concertados contar a mesma história – que o voo, fretado pelo Governo português, foi anunciado como sendo de não fumadores. Erro do comandante, pelos vistos. Sócrates admite que errou e prometeu que vai deixar de fumar. A TAP refugia-se num “o voo é fretado pelo que as regras são diferentes”. Depois o povo acredita – e às vezes quase me vejo obrigado a concordar – que há uma justiça (e leis) para os ricos e outra para os pobres.

Mas o mais lamentável no meio desta viagem governamental à Venezuela conta-se de outra forma. Conta-se na forma de um primeiro-ministro que, como já se viu no nosso próprio País, alinha nos espectáculos mediáticos de chefes de Estado e de Governo como quem vai ali aos Aliados tomar um cimbalino. E resolve ir à “casa” do homem que o rei de Espanha, saturado com a sua má educação, mandou calar. Mas não. Foi lá e assistiu, feliz da vida, ao assinar dos contrários beneméritos. Portugal, como País rico e abastado que é, manda para lá cargueiros, reparados nos nossos estaleiros, carregados de arroz (aquele que dizem que qualquer dia começa a ser racionalizado), massa, leite em pó, medicamentos (esperemos ao menos que não sejam genéricos para que rendam mais um pouco) e outros produtos do género. A Venezuela, país pobre, ainda em desenvolvimento, paga-nos com o pouco que tem: barris de petróleo. Rezemos pelo menos que cargueiros e petroleiros não choquem em pleno Oceano Atlântico. Coitada da Venezuela, perdia tudo.

Mas Sócrates, de braços abertos e sempre pronto a estender a mão (mesmo que por vezes deixe o seu interlocutor de braço estendido, em vão) concede ainda outra benesse a esse grande democrata que é Chavez. Tal como já em Lisboa fizera com Muammar Kadafi, Sócrates aceita participar, impávido e sereno, no espectáculo mediático de autopromoção protagonizado por esse baluarte da democracia na América Latina.

Mas acredito, naturalmente, na boa-fé e boa vontade do nosso primeiro-ministro que, assim, conseguiu, com toda a certeza, garantir para os emigrantes portugueses na Venezuela melhores condições de vida, de trabalho, de negócios e da própria permanência no território venezuelano. Graças a Deus… e a Sócrates, claro. Afinal de contas veja-se o que sucedeu com os empresários espanhóis, desgraçados, depois de o rei deles ter tido o dislate de mandar calar o senhor Hugo Chavez. Hã? O quê? Não foi? Ai não? Foi… hummm… pois, quer dizer… Ah, bom, ok, ok… Está bem! Desculpem, acabam de me informar que uma coisa não teve nada a ver com a outra e que foi mera coincidência temporal. Aquilo era um processo que já estava a decorrer há muito tempo contra uma série de empresários que não estavam a cumprir as regras. Ainda bem, ufa…

O que vale é que, com Portugal, esse problema não se coloca. Cá somos todos muito bem-educados, simples e honestos, e nunca, mas nunca, mandamos calar quem quer que seja. Nem os professores mandam calar os alunos, nem os alunos mandam calar os professores…



Ah, num País que se diz e quer desenvolvido e digno de ser respeitado, os acontecimentos sem nexo continuam a suceder-se. Como o facto de um presidente de um clube de futebol, recentemente campeão nacional, ser convidado por um grupo de 70 deputados para jantar na Assembleia da República. Isto dias depois de ter sido condenado, na justiça desportiva, a dois anos de suspensão por corrupção tentada. Decisão da qual o cidadão em causa já garantiu que irá recorrer, mas a sentença existe. Faz lembrar o caso do outro cidadão que foi recebido em braços no mesmo órgão nacional logo depois de sair de uma prisão preventiva. É a questão da imagem, percebem?

Surpresa?

12 de Maio de 2008

Não percebo por que está toda a gente surpreendida com a ausência de Maniche dos eleitos para o Europeu. É assim tão surpresa? Ou teremos jogadores bem melhores para a posição dele?

Pensamento do dia

11 de Maio de 2008

Um homem que nunca muda de opinião, em vez de demonstrar a qualidade da sua opinião demonstra a pouca qualidade da sua mente.
(Marcel Achard)

Dar para tirar?

7 de Maio de 2008

A coisa é simples. Procura-se convencer o contribuinte, aflito em contas para pagar, a receber adiantado o possível reembolso do IRS. É a lógica do crédito fácil. O anúncio, constantemente a passar na rádio, termina com um aviso de que pagará o empréstimo "com ligeiras prestações mensais".
Ou seja, além de estourar o dinheiro do reembolso do IRS, oi contribuinte ainda tem de pagar mais umas "prestaçõezitas".
E ninguém faz nada?

Dia da Mãe

4 de Maio de 2008

As mais antigas celebrações do Dia da Mãe remontam às comemorações primaveris da Grécia Antiga, em honra de Rhea, mulher de Cronos e Mãe dos Deuses. Em Roma, as festas comemorativas do Dia da Mãe eram dedicadas a Cybele, a Mãe dos Deuses romanos, e as cerimónias em sua homenagem começaram por volta de 250 anos antes do nascimento de Cristo.

Durante o século XVII, a Inglaterra celebrava no 4.º Domingo de Quaresma (40 dias antes da Páscoa) um dia chamado “Domingo da Mãe”, que pretendia homenagear todas as mães inglesas. Neste período, a maior parte da classe baixa inglesa trabalhava longe de casa e vivia com os patrões. No Domingo da Mãe, os servos tinham um dia de folga e eram encorajados a regressar a casa e passar esse dia com a sua mãe.

À medida que o Cristianismo se espalhou pela Europa passou a homenagear-se a “Igreja Mãe” – a força espiritual que lhes dava vida e os protegia do mal. Ao longo dos tempos a festa da Igreja foi-se confundindo com a celebração do Domingo da Mãe. As pessoas começaram a homenagear tanto as suas mães como a Igreja.

Nos Estados Unidos, a comemoração de um dia dedicado às mães foi sugerida pela primeira vez em 1872 por Julia Ward Howe e algumas apoiantes, que se uniram contra a crueldade da guerra e lutavam, principalmente, por um dia dedicado à paz.

A maioria das fontes é unânime acerca da ideia da criação de um Dia da Mãe. A ideia partiu de Anna Jarvis, que em 1904, quando a sua mãe morreu, chamou a atenção na igreja de Grafton para um dia especialmente dedicado a todas as mães. Três anos depois, a 10 de Maio de 1907, foi celebrado o primeiro Dia da Mãe, na igreja de Grafton, reunindo praticamente família e amigos. Nessa ocasião, a sra. Jarvis enviou para a igreja 500 cravos brancos, que deviam ser usados por todos, e que simbolizavam as virtudes da maternidade. Ao longo dos anos enviou mais de 10.000 cravos para a igreja de Grafton – encarnados para as mães ainda vivas e brancos para as já desaparecidas – e que são hoje considerados mundialmente com símbolos de pureza, força e resistência das mães.

Segundo Anna Jarvis seria objectivo deste dia tomarmos novas medidas para um pensamento mais activo sobre as nossas mães. Através de palavras, presentes, actos de afecto e de todas as maneiras possíveis deveríamos proporcionar-lhe prazer e trazer felicidade ao seu coração todos os dias, mantendo sempre na lembrança o Dia da Mãe.

Face à aceitação geral, a sra. Jarvis e os seus apoiantes começaram a escrever a pessoas influentes, como ministros, homens de negócios e políticos com o intuito de estabelecer um Dia da Mãe a nível nacional, o que daria às mães o justo estatuto de suporte da família e da nação.

A campanha foi de tal forma bem sucedida que em 1911 era celebrado em praticamente todos os estados. Em 1914, o Presidente Woodrow Wilson declarou oficialmente e a nível nacional o 2º Domingo de Maio como o Dia da Mãe.

Hoje em dia, muitos de nós celebram o Dia da Mãe com pouco conhecimento de como tudo começou. No entanto, podemos identificar-nos com o respeito, o amor e a honra demonstrados por Anna Jarvis há 96 anos atrás.

Apesar de ter passado quase um século, o amor que foi oficialmente reconhecido em 1907 é o mesmo amor que é celebrado hoje e, à nossa maneira, podemos fazer deste um dia muito especial.

E é o que fazem praticamente todos os países, apesar de cada um escolher diferentes datas ao longo do ano para homenagear aquela que nos põe no mundo.

Em Portugal, até há alguns anos atrás, o dia da mãe era comemorado a 8 de Dezembro, mas actualmente o Dia da Mãe é no 1º Domingo de Maio, em homenagem a Maria, Mãe de Cristo.

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Por tudo isto, e muito mais, um grande Dia da Mãe a todas as mães mas, muito, muito em especial, à minha querida mãe. Um grande beijo!

Pensamento do dia

3 de Maio de 2008

"Só existem duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana. E não estou muito seguro da primeira".
(Albert Einstein)

Banco Alimentar contra a Fome

Hoje e amanhã, não custa quase nada, juntar duas ou três coisas a mais, de forma quase esquecida, no cesto das compras. Depois, ao chegar à caixa para pagar, em vez de se guardarem essas coisas nos sacos do supermercado, transferem-se para aquele saco branco, de letras e desenhos azuis, que nos entregaram à entrada. Não custa quase nada. E ajudará imenso.

É mais uma campanha do Banco Alimentar contra a Fome. Para que aqueles que não têm fome ajudem muitos outros a não ter também.

Eu já contribui! E você?

Revolução na música II

2 de Maio de 2008

Continuando o tema de ontem, não deixa de ser curioso que, em Portugal, a aquisição de um livro seja considerado um acto cultural e, por isso, pago a uma taxa de IVA de 5%, e a compra de um CD ou um DVD se "veja" como um luxo e, desse modo, acrescido de uma taxa de IVA de 21%. Ou, como referia uma reportagem no Bom Dia Portugal desta manhã na RTP, ver um filme no cinema custe 5% de IVA e adquirir o DVD seja a 21%.

Para contornar este problemas, são já várias as bandas em Portugal que se refugiam em vários subterfúgios da lei para venderem o seu trabalho mais barato, isto é, a uma taxa de IVA menor. Os
Rádio Macau, por exemplo, ao editarem um trabalho, venderam o disco em formato livro. O Livro Pirata/Disco Pirata. Ou seja, "escreveram" um livro - que tem de ter obrigatoriamente mais de 64 páginas - e juntaram-lhe um CD de "bónus". Resultado? O novo disco dos Rádio Macau pode ser adquirido a uma taxa de IVA de 5% porque é vendido como livro.

Também
Os Azeitonas escolharem este formato para publicar o seu trabalho. Recorreram à editora de Rui Veloso e "escreveram" Rádio Alegria. Despachado o livro foi colocado à venda. Como gostam muito do povo, decidiram ser simpáticos e ofereceram um CD com o livro.

E, assim, duas bandas portuguesas contornaram a lei fiscal. E, com certeza, ganharam mais alguns fãs, e uns trocos também, com esta iniciativa.

Fica nas mãos dos nossos políticos, sempre tão preocupados com o povo, a decisão de manter esta incongruência por muito mais tempo ou decidir, de vez, taxar tudo a 5%. Porque, em formato digital ou papel, música e escritura é tudo cultura!

Revolução na música

1 de Maio de 2008

Numa altura em que, em Portugal como no mundo, cada vez mais a população vai cortando nos gastos "supérfluos", a compra de discos de música, filmes, livros e outros artigos que tal, é, certamente dos primeiros itens a eliminar na "lista de compras". Em muitos lares muitos apostam em baixar álbuns da Internet, muitas vezes à margem da lei. Tudo serve para poupar dinheiro.

Simultaneamente, os responsáveis da indústria discográfica, mais até do que as próprias bandas, começaram a bradar aos céus argumentando com as quedas brutais nas receitas, com os danos irrecuperáveis causados pela pirataria online. Parecia que o fim do mundo estava aí a chegar e, para o evitar, muitas ameaçaram/avançaram com processos judiciais.

Curiosamente, algumas bandas pareceram não concordar com esta teoria. E houve até quem decidisse romper contrato com a editora discográfica e avançar para produções independentes, argumentando que pouco lucravam com as vendas de discos.

Pouco depois começou a revolução, com as algumas bandas a editarem álbuns gratuitos, na Internet. Os Nine Inch Nails são um exemplo, com o Ghosts I-IV, o primeiro de quatro discos que o grupo norte-americano pretende editar.

Em Portugal, também os Santos e Pecadores seguiram este exemplo e editaram recentemente o álbum "Livre Trânsito" na sua página pessoal. À distância de dois ou três cliques e o disco está disponível no disco duro do nosso computador, pronto para passar a andar no leitor portátil.

Numa altura em que os custos de vida necessários/obrigatórios são cada vez maiores, esta poderá ser uma excelente alternativa para duas de três facções: os consumidores e as bandas. A perder ficam as editoras. Mas isso, creio, não preocupará nem as bandas, nem os consumidores.

Escritos XIII

Agora que parava um pouco e olhava com maior atenção, João Pedro notava que, efectivamente, a maior parte da assistência eram homens, de várias idades.
– Gomes!
– Sim comissário. – O agente, muito baixo e gordinho, chegara junto do comissário e do inspector em menos de nada.
– Avise os homens para estarem atentos ao que se vai dizendo por aí. Escolham três ou quatro homens que vos pareçam conhecer melhor a vítima para depois interrogarmos na esquadra. Pelos vistos a nossa Andreia era dançarina numa discoteca aqui da zona.
– Sim senhor, vou já avisar os homens – responder o agente Gomes, ao mesmo tempo que saia disparado para segredar aos colegas as ordens transmitidas pelos superiores. O acenar de cabeças confirmava que as ordens já tinham sido dadas e rapidamente entendidas.

Para João Pedro este tipo de casos era mais do que um desafio. Fora para isto que ingressara na polícia e, fora por causa deste bichinho que, desde logo, lutara para rapidamente ser integrado na área de investigação. Gostava do desafio de conhecer a mente dos criminosos, a forma como, muitas vezes, preparavam os crimes com meses de antecedência, ao pormenor. Mesmo que, por vezes, não fosse capaz de entender como eram capazes de matar uma pessoa, sem qualquer réstia de remorsos.

João Pedro nascera numa aldeia no interior do país, perdida no meio de uma serra enorme, onde a maioria da população viva do que dava a terra e dos animais que criava. Enquanto criança nunca tivera muitos brinquedos e os poucos que tivera vinham sempre estragados pois já tinham pertencido aos irmãos ou aos primos. Algo que, na verdade, não o preocupava. Aliás, fora através da necessidade de ter de arranjar os brinquedos para poder desfrutar deles na plenitude que João Pedro desenvolvera tanto o seu sentido de descoberta e curiosidade em perceber como as coisas se processavam. Quando recebia um novo brinquedo, pegava nele, virava-o e revirava-o, inspeccionando cada canto, cada rebordo, de alto a baixo em busca do problema que lhe “estragava” o brinquedo. Com tempo, e uma paciência enorme, mais cedo ou mais tarde acabava quase sempre por resolver o problema.
A mãe, cheia de orgulho, sempre que o via deitado no chão a revirar um novo brinquedo, rapidamente dizia para as vizinhas, com aquela paixão que só as mães têm, “vai ser cientista, de certeza”.

O petróleo... sempre o petróleo

30 de Abril de 2008

Esta é a curva da evolução do preço do petróleo. Sempre em valores médios, nos últimos 13 meses, e nos últimos 12 anos.



Fonte: OPEP

Questões de memória...

28 de Abril de 2008

Alguém ouviu algum dirigente do Sporting queixar-se ontem da arbitragem de Lucílio Baptista?
É que eu tenho ideia que pelos lados de Alvalade já foi pedido que este árbitro nunca mais apitasse um jogo do Sporting!!!

É um bocado como o Governo que só aplaude as previsões de Bruxelas quando elas são favoráveis às políticas do Governo.

Pensamento do dia

Um bom governo é como uma boa digestão: enquanto funciona bem, quase não damos por ela.
(Erskine Caldwell)

A crise dos cereais

27 de Abril de 2008

Não foi por falta de aviso. O programa das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) está a alertar desde Junho de 2006 para o que se estava a preparar. Ninguém ligou. Agora instalou-se o pânico e muitas das medidas que estão a ser tomadas - ou sugeridas - resolvem pouco. Pior: agravam os problemas, como é o caso do encerramento de fronteiras.
Boa parte da resposta está onde até agora ninguém apostou: nos pequenos agricultores dos países pobres. A crise tem apenas um lado positivo: exigir que se volte a pensar e a apostar na agricultura. Mas isto não muda o essencial: não há falta de alimentos, há um problema de acesso a estes.
As causas estão diagnosticadas: uma curva ascendente da procura devido ao aumento do nível de vida da China e da Índia, que começou a introduzir carne na sua alimentação, que não foi acompanhado pela oferta por causa de anos climatericamente adversos. A isto, acrescentou-se uma subida dos custos de produção por causa do petróleo, da muita especulação e dos biocombustíveis. "Foram os fundamentos do mercado", sublinha ao PÚBLICO Abdolreza Abbassian, economista da FAO.
Mas se foi o mercado a gerar a crise, não será ele a resolvê-la. Primeiro porque na agricultura, nada funciona do dia para a noite. No campo, as escalas temporais são anuais. Não é uma fábrica que, de um dia para o outro, consegue duplicar a produção para responder à procura. Segundo algumas projecções, para um aumento de preços de oito por cento, a oferta sobe entre um e dois por cento.
Depois porque há poucos mercados tão distorcidos como o dos produtos agrícolas. Os preços têm-se mantido artificialmente baixos: de 1974 a 2005 os preços reais caíram 75 por cento. Nos países ricos, os agricultores têm sido subsidiados para que os consumidores tenham acesso aos alimentos ao menor preço. Nos países pobres, os preços foram também controlados pelo poder político - para evitar tensões sociais -, mas os produtores não foram compensados.
Isto para além das barreiras e das tarifas que os países ricos impõem às importações, que aumentaram ainda mais a distorção.
Para este imenso caldeirão contribuíram ainda políticas seguidas nos EUA e na Europa contra os excedentes. As reservas têm vindo a cair e são a única resposta imediata aos aumentos de procura.
in Público, 27.04.2008, por Ana Fernandes
A crise de cereais que se começa a viver no mundo inteiro começa a ameaçar o mundo inteiro e merece, da parte de todos os governos, uma intervenção séria e preocupado. Uma intervenção que procure encontrar verdadeiras respostas para este mundo. Porque a subida do preço dos cereais é algo bem mais preocupante do que a subida do preço do petróleo.
Resta saber se há da parte das grandes potências mundiais vontade suficiente para resolver este problema!

E o mais importante é???

24 de Abril de 2008

Pensamento do dia

Uma ideia fixa parece sempre uma grande ideia, não por ser grande, mas porque enche todo o cérebro.
(J. Benavente)

Escritos XII

Isto era algo que João Pedro não conseguia perceber. A capacidade que alguém tinha de matar outra pessoa, sem qualquer motivo aparente. Matar a sangue frio. Por mais anos que passasse a investigar casos destes, no fundo, nunca conseguia entender o que levava alguém a tirar a vida a outra pessoa.
– Gomes, já chegaram os peritos?
– Não chefe. Mas devem estar aí a rebentar não tarda nada.
– Obrigado. Se precisar de mais alguma coisa mando-o chamar.

João Pedro não conseguia tirar os olhos daquele corpo ali estendido no chão, jazido sem vida. Um corpo lindo. “Como é que alguém é capaz de matar uma mulher assim, meu Deus?”, pensava para si, enquanto deambulava de um lado para o outro, procurando encontrar algo que pudesse considerar, por hipótese, uma pista para a resolução do caso.
– É uma pena, não é comissário?
– 32 anos caro inspector. 32 anos.
– E uns belos 32 anos, não são?

O inspector Martins era um velho conhecido de João Pedro. Conhecera-o aos 38 anos e sempre o admirara pela rapidez e pela forma como resolvia os casos. De um momento para o outro, quando todos os outros inspectores pareciam perdidos num beco sem saída, António Martins tirava um coelho da cartola e, num passe de mágica, encontrava culpa, móbil e arma do crime, se assim fosse necessário.
– Há quantos anos nos conhecemos João?
– Dez, António.
– Escreva o que lhe vou dizer a seguir: este não vai ser um caso nada fácil de resolver. Nada mesmo.
– Por que dizes isso?
– A vítima trabalhava num bar aqui perto, numa casa de strip. Pelos vistos é muito conhecida junto da população masculina aqui da zona. Aliás, ao que alguns agentes ouviram por ai cochichar, é adorada pelos homens e inveja pelas mulheres, vá lá saber-se porquê –, disparou o inspector Martins, sem ser capaz de disfarçar um sorriso mais descarado.

E o mau tempo que continua...

21 de Abril de 2008

De acordo com os técnicos do Instituto de Meteorologia, o mau tempo que a semana passada se fez sentir em Portugal vai continuar por mais alguns dias. Consequência imediata disso, o SL Benfica voltou a perder, desta feita com o novo campeão nacional, FC Porto [eu, que não vi nem um segundo do jogo (esperto, já sabia ao que ia...) tenho cá para mim que se assistiu a mais um daqueles roubos de igreja e que os dragões foram, naturalmente e sem qualquer dúvida, levados ao colo :p]. Mau tempo que se alastrou à cidade dos estudantes, com o Vitória de Guimarães a perder ali dois pontos.
A faixa litoral centro do país foi, de resto, a região mais fustigada pelo mau tempo. Que se fez sentir com maior intensidade na zona de Leiria, onde o anticiclone dos Açores, em conjugação com o El Niño e a La Niña, causou enormes estragos. Fruto disso o Sporting CP acabou afundado por um fenómeno chamado União de Leiria que, ao que se sabe, veio, de repente, de um qualquer lugar recôndito.

Entretanto, e ao que foi possível apurar, o ministro das Finanças e o da Economia apresentaram à presidência da Liga de Clubes uma proposta no sentido de que, semanalmente, seja assegurado ao SL Benfica a conquista, no mínimo, de três pontos, de modo a não pôr em causa o crescimento da economia nacional e o cumprimento das metas orçamentais assumidas pelo Governo português perante Bruxelas.

Nuvens negras sobre Portugal

18 de Abril de 2008

Numa semana de temporal, as rajadas fortes de nordeste varreram o Benfica da Taça e o Menezes da liderança do PSD. O pior que podia acontecer a ambos, Benfica e PSD, era que Chalana continuasse como treinador e Menezes como líder. Ambos falam demais e exageram nos disparates!

Escritos XI

17 de Abril de 2008

Este era um início de dia que dispensava. A descoberta de um corpo, ainda por cima no centro da cidade, era sempre motivo de interesse para os jornalistas.

Apesar do olhar reprovador da mulher, o pequeno-almoço foi tomado à pressa, com as torradas a serem comidas já ao volante do potente automóvel que o cargo de comissário lhe proporcionara. Enquanto se dirigia para a esquadra, procurava montar um esquema mental de modo a selar toda a área de forma conveniente, até chegar a equipa de investigadores. O que mais o preocupava era a curiosidade normal das pessoas, que tudo procuravam entender e sobre tudo teorizando, enquanto o caso não fosse deslindado. “Espero que o responsável pela descoberta não tenha feito mais nada além de ver a pulsação do cadáver”, pensava. Qualquer alteração ao local da cena poderia ser suficiente para atrapalhar as investigações, se não mesmo arruiná-las por completo.

Até hoje nunca nenhum caso sobre a sua alçada ficara por desvendar. Mas lembrava-se de alguns que tinha sido bem mais complicado resolver o problema, porque as pessoas não conseguiam resistir ao impulso de remexer a cena do crime, como se em cada um deles existisse um novo Sherlock Holmes que tudo descobria e a todos os criminosos dava ordem de cadeia.

À chegada ao local o comissário João Pedro deparou-se com algo que, de todo, não estava à espera. A vítima não teria mais de 30 anos e era de uma beleza extraordinária. Parecia quase uma modelo retirada de um qualquer quadro célebre e que, agora, repousava serenamente nas traseiras de um quiosque. O único elemento que destoava naquela tela era o vermelho, enegrecido, no pescoço daquela mulher.
– Há quanto tempo foi?
– O médico legista acha que não deve ter sido há mais de quatro horas chefe. Talvez entre as cinco e as oito horas da manhã.
– O que disse o dono do quiosque Gomes?
– Pelos vistos encontrou-a quando se preparava para ir deitar alguns caixotes de cartão ao depósito colocado ali atrás. Garante que não tocou no corpo e que chamou de imediato uma patrulha que ia a passar aqui na altura.
– Mais ninguém viu nada?
– Parece que não. Até agora pelo menos ninguém disse nada. A única coisa que sabemos é o nome dela e a idade, já que tinha a carteira e os documentos na mala que estava caída junto ao corpo. Chama-se Andreia Pereira e tem 32 anos, comissário.
– Há alguém com quem possamos falar? Um familiar, amigo, namorado ou marido?
– Estamos a tentar descobrir onde vivem os pais dela. Não tinha contactos nenhuns com ela.
– Mais alguma coisa Gomes?
– Oh senhor comissário, há uma coisa estranha. É que não roubaram nada. Pelo menos parece que não. Na mala estava dinheiro, um cartão de crédito, telemóvel… Parece estar lá tudo. Até dinheiro.
– Dinheiro?
– 300 euros chefe.
– 300 euros???
– Sim. Certinhos, direitos e muito bem arrumadinhos… Oh chefe, isto não pode ter sido assalto…